A importância do uso da lona nas carrocerias

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A obrigatoriedade do uso de lona nas carrocerias de veículos utilizados no transporte canavieiro, a partir de 1º de junho, vai ao encontro do famoso dito popular: “melhor prevenir do que remediar”. De acordo com a Polícia Militar Rodoviária, não existem dados que comprovem o derramamento de cana-de-açúcar nas estradas como fenômeno causador de acidentes. 

Porém, é o tipo de prevenção necessária por uma série de motivos. O material caído na pista pode levar condutores de veículos a optar pelo desvio e, aí sim, correr o risco de colisões com quem vem na contramão. Fica complicado também para quem dirige, uma vez que motoristas de caminhões de cana se acostumaram a transportar cargas, muitas vezes, acima da capacidade. Essa situação, com frequência, provoca trechos de lentidão nas rodovias. Com a nova exigência, espera-se que o volume nas carrocerias seja mais adequado.

Embora não haja comprovação de ocorrências relacionadas à quantidade de cana transportada, é fato que, cada vez mais, os acidentes com envolvimento de veículos canavieiros têm colocado vidas em risco.

Na região de Araçatuba, onde o setor sucroalcooleiro é uma das principais atividades econômicas, somente nas duas últimas semanas, duas pessoas morreram vítimas de colisões com veículos que carregavam cana-de-açúcar. No último dia 15, um fiscal da Prefeitura de Castilho morreu em uma estrada vicinal daquela cidade, ao ter o carro que conduzia esmagado por um treminhão. O último acidente ocorreu na madrugada de quinta-feira passada. Colisão envolvendo ambulância de Coroados com um caminhão canavieiro resultou na morte de um paciente de 67 anos de idade.

A obrigatoriedade da lona já era para estar em vigor há pelo menos quatro anos, mas teve sua exigência postergada a pedido de representantes do setor, que alegavam a necessidade de tempo e de tecnologia para se adequar à exigência, que está prevista em resolução do Contran (Conselho Nacional de Trânsito). Conforme a Unica (União da Indústria da Cana-de Açúcar) informou, em reportagem da Folha da Região na última sexta-feira, o investimento gira em torno de R$ 230 mil apenas em equipamentos, desconsiderando-se o gasto com mão de obra e o tempo de operação.

Resistências à parte, a Lei do Enlonamento, como foi batizada a nova regra, acompanha o desenvolvimento do setor, que, há tempos, sente os impactos da mecanização. Apesar das dificuldades que atingem o segmento, em virtude do fechamento ou venda de usinas a grupos estrangeiros, a medida deve ser vista de forma positiva pelas empresas, no que diz respeito às condições de trabalho, segurança nas rodovias e meio ambiente.

Fonte: Folha da Região